Portugal prepara-se para adquirir dois aviões de combate a incêndios
2015-01-05

Ao invés do que tem sido habitual nos últimos anos, onde Portugal tem alugado os meios aéreos necessários para combater os incêndios, desta vez, e com apoio de fundos comunitários, o país prepara-se para adquirir dois aviões pesados anfíbios de combate a incêndios florestais.

De acordo com o Jornal de Notícias, os fundos europeus consagrados no programa Portugal 2020 irão comparticipar 85% do valor da compra dos dois aviões, ficando os restantes 15% a cargo da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). Ainda segundo o Jornal de Notícias, que cita Miguel Macedo, antigo ministro da Administração Interna aquando da negociação da aquisição dos dois aviões, o custo de cada avião rondará os 35 milhões de euros. 

Para Miguel Macedo, dessa forma, Portugal terá que pagar uma quantia próxima de 10,5 milhões, e assim, o dinheiro a poupar nos dois aviões Canadair que o país costuma alugar no verão, chegará para pagar a comparticipação nacional, no espaço de cinco ou seis anos, sendo ainda a manutenção assegurada em Portugal, uma vez que quando Miguel Macedo saiu de funções, "estava previsto que a Força Aérea ficasse encarregue da operação e manutenção dos aviões". 

O Jornal de Notícias recorda ainda que no início de 2014, o ex-governante tinha já manifestado, no Parlamento, a intenção de comprar os aviões, mas a possibilidade só ficou definitivamente consagrada no passado mês de dezembro, quando Portugal e Bruxelas acordaram o Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (SEUR, um dos quatro de âmbito temático, geridos a partir de Lisboa). 

No documento é possível ler-se que a ANPC poderá comprar "dois aviões pesados anfíbios", ou seja, que poderão tirar partido das reservas de água abundantes no país, como rios, lagos, albufeiras, para combater "incêndios florestais de grande envergadura". Os aviões serão usados em Portugal, sempre que necessário, e no âmbito do Mecanismo Comunitário de Proteção Civil, acionado quando algum Estado-membro necessita de auxílio. 

Este argumento, a par da ênfase na proteção do ambiente, foram determinantes para que a Comissão Europeia aceitasse comparticipar o investimento, numa negociação que o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida classificou de "difícil". 

No documento é ainda adiantado que com a compra dos dois aviões, poderá ajudar Portugal a cumprir o objetivo de, "até ao final da década (...), reduzir a superfície de área ardida para valores equiparáveis à média dos países mediterrânicos", lê-se no SEUR, num cenário em que "as alterações climáticas poderão potenciar o problema dos incêndios e exigir maiores capacidades de intervenção". 

Recorde-se que em 2014, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) foi reforçado com o aluguer de dois Canadairs, dois FireBoss (menores) e um helicóptero.



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